Sai Uma Francesinha

Uma francesinha come-se com os amigos. Enquanto se come uma francesinha, fala-se de tudo: cinema, música, gajas, política, paneleirices, coisas sem sentido, anedotas, exposições... É de algumas dessas coisas que aqui se fala, umas mais regionais, outras nem tanto, outras mais culturais, outras ainda mais banais.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Ciclo de Música Tradicional Portuguesa na Casa da Música

Tem início a 3 de Fevereiro o Ciclo de Música Tradicional Portuguesa. Quem já está a pensar nos ranchos folclóricos dos pares de braços no ar e munidos de socos, bailando ao som do acordeão e de vozes de cana rachada, engana-se. Neste certame temos desde bandas como os Galandum Galundaina - de Miranda do Douro, com a música característica daquela região (e não só) onde predominam a gaita-de-fole e os instrumentos de sopro - até aos Fadomorse, banda recente que se vai afirmando aos poucos, onde encontramos a fusão da música tradicional portuguesa com o jazz, o soul e o rock.
Para quem não conhece, uma oportunidade para acabar com possíveis preconceitos acerca da música tradicional (tradicional, não "popular"); para os familiarizados, um evento a não perder, até porque os preços são mais que acessíveis.

Cartaz:

Sexta-feira | 3 de Fevereiro - 23h | sala 2

Mandrágora + Orquestrinha do Terror

Sábado
| 4 de Fevereiro - 23h | sala 2

Galandum Galundaina + Frei Fado d'el Rei

Domingo | 4 de Fevereiro - 22h | sala 2

Fadomorse + Mu



sexta-feira, janeiro 13, 2006

100 Anos da Livraria Lello


Cumprem-se hoje 100 anos de um espaço que todos reconhecem e admiram. A Livraria Lello & Irmão é um dos espaços emblemáticos da cidade e é impossível ficar-lhe indiferente à passagem pelas suas fachada e montra. Seja pela imponência e beleza do edifício em si, seja pelas suas montras apelativas. O edifício transporta para o interior o estilo arte nova que o distingue dos demais que o ladeiam. Uma belíssima escadaria recebe-nos no horizonte convidando-nos para uma subida e uma viagem ao mundo dos livros.
Hoje é dia de prestar homenagem. Arranjar uns minutos ao fim da tarde e cumprimentar uma referência desta cidade.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Ali Agca libertado

Ali Agca foi libertado, após ter passado 19 anos em prisões italianas e regressado à Turquia, onde foi novamente julgado e condenado, desta vez, a prisão perpétua por outros crimes cometidos anteriormente, nomeadamente um assalto a um banco e o assassínio de um jornalista.
Para quem está a faltar as legendas ao filme, foi o gajo que tentou matar o Papa em 1981, em plena Praça de S. Pedro, com um tiro no abdómen. Este, por milagre de Nossa Senhora (a de Fátima, claro está; conhecem mais alguma?), escapou e dedicou o resto da sua vida, enquanto lúcido, à devoção à Nossa Senhora (a tal...), tendo ainda conseguido dar a boa nova ao mundo, revelando o 3º segredo de Fátima, guardado religiosamente através de uma vida monástica pela Irmã Lúcia.
Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que o jovem (agora com 48 anos) Ali Agca, foi libertado com um enorme aparato policial, com direito a recepção entusiasta por muitos populares e a várias mudanças de carros. À saída da prisão, alguém lhe atira flores. Pois é. Flores... O papa não foi, porque, como todos sabemos, já lhe perdoou em tempos, quando o visitou pessoalmente à prisão onde ele estava
detido em Roma. A Nossa Senhora também não tem aparecido...
Isto vem ao caso apenas por uma questão e peço desculpa se ofendi a moral a alguém. Vem ao caso porque na Turquia atiram flores a pessoas que cometem homicídios premeditados e tentativas de homicídio, quando estes são libertados.
Essa mesma Turquia que aspira a pertencer à União Europeia e que a maior parte dos grandes europeus apadrinha.















Sua Santidade em pleno acto de perdão.

Livros Antigos e Raros na Rua das Flores



Livraria Chaminé da Mota faz 25 anos

Quem já passou na Rua das Flores, concerteza que não deixou de reparar nas várias livrarias ali existentes. No entanto, não menosprezando as outras, há uma que se destaca. Entrando lá dentro é impossível ficar indiferente à magia do local. Juntamente com os milhares de livros que se acotovelam nas estantes, há um mobiliário antigo a condizer e variados objectos antigos, desde fonógrafos, máquinas de escrever, grafonolas, não podendo deixar de destacar as muitas caixas de música e os cartazes antigos nas paredes, criando assim uma atmosfera mágica.
Os livros dispersam-se pelos quatro andares do edifício, havendo-os para todos os gostos e de várias épocas: literatura, banda desenhada, manuscritos, ficção-científica, publicações, biografias, periódicos, poesia, política; livros antigos, do pricípio do século, de outros séculos, destacando-se um Atlas de 1588, com as descobertas feitas até então. É, segundo o seu proprietário Pedro Chaminé da Mota, o maior alfarrabista português e faz hoje 25 anos. Para comemorar, irão estar expostos vários livros antigos e raridades, entre os quais poderemos encontrar a "Ética", de Aristóteles, datado de 1517. Um encontro com o passado a não perder.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Novo album dos Dr. Frankenstein



A You Are Not Stealing Records - net label relacionada com os Stealing Orchestra, já tem disponível para descarga o novo album dos Dr. Frankenstein: The Cursed Tapes.
A editora continua assim a concretizar o ideal de livre acesso à música, recebendo pedidos de bandas e projectos internacionais, para que estes figurem na editora e estejam disponíveis para descarga.
Para aqueles que se preocupam com os direitos de autor, uma nota: as descargas têm o total consentimento dos autores em causa, não havendo violação alguma de direitos.
Aplauda-se a atitude de estas bandas que, ao contrário de muitas, viabilizam as descargas gratuitas e a sua livre troca, como meio de divulgar os seus projectos.









Evento UNDERWORLD - 14 JAN - Swing

Uma Alternativa para o próximo sábado...

A programação da SoundFactory no ano 2006 inicia com a quartaedição do evento UNDERWORLD, dedicado essencialmente à música electrónica, e que se realizará no final da segunda semana de Janeiro na discoteca Swing.
Originalmente projectado como um evento sem calendário fixo, foi contudo marcado por uma agenda matemática fulminante, com frequência trimestral nos dias 14 de Abril, Julho e Outubro. Na sequência dessa mesma geometria temporal, numa simbologia curiosa em relação ao próprio género musical, a próxima noite UNDERWORLD realiza-se a 14 de Janeiro, e que será desta vez num sábado! Terrorismo electrónico para começar bem o ano...

Proposto referendo à Ota e ao TGV

A dimensão dos investimentos envolvidos nos projectos do aeroporto da Ota e do TGV motivaram um grupo de cidadãos do Porto a propôr a realização de uma consulta popular sobre os temas. Para isso, desafiam o Parlamento a despoletar o avanço de um referendo.


Os projectos de construção do novo aeroporto da Ota e das linhas do TGV devem ser sujeitos a um referendo popular. A proposta parte de um grupo de cidadãos do Porto, entre os quais se contam juristas, economistas, professores universitários, médicos e dirigentes associativos, que, em carta aberta, desafia a Assembleia da República a despoletar o processo.
Na missiva enviada aos 230 deputados parlamentares, a que o JANEIRO teve acesso, alerta-se para o facto das decisões sobre o avanço dos dois projectos terem sido tomadas “sem um mínimo aceitável de «contraditório» e com o aproveitamento do conhecido «quem cala, consente»”. Para Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto e um dos subscritores da carta, o anúncio do primeiro-ministro, José Sócrates, sobre estas matérias mais não foi do que “uma operação de marketing”. “Houve uma excessiva ligeireza do Governo, ao ter revelado as decisões num período que antecedia uma campanha eleitoral como as presidenciais”, criticou. Uma opinião partilhada por Paulo Morais, professor universitário e antigo vice-presidente da Câmara do Porto, ao lembrar que os «produtos» “foram «vendidos» aos consumidores como uma inevitabilidade ao nível de investimento, apenas e só com implicações positivas”.

Discutir
A necessidade de suscitar uma ampla discussão pública em torno do novo aeroporto da Ota e da rede de comboio de alta velocidade, avaliando também os aspectos negativos, é o ponto consensual entre os 12 elementos que compõe o grupo signatário. Para Paulo Morais a realização de um referendo iria, exactamente, permitir a existência de um período de discussão. “Seria uma oportunidade de se exprimir pontos de vista sobre os investimentos e ter acesso aos estudos que estão na sua origem”, advogou, salvaguardando que o grupo que assina a carta aberta “está de mente aberta quanto aos projectos”.
Após a iniciativa, o conjunto de cidadãos portuenses espera “que os deputados da Nação assumam as responsabilidades de representar o povo português” e, como advertiu o ex-autarca, “não se deixem submeter às pressões partidárias”.

Hipótese
Iniciativa popular
Segundo os signatários da carta, existem condições para que o referendo sobre o aeroporto da Ota e o TGV venha a realizar-se durante este ano. Mas caso os deputados não atendam ao pedido, está a ser ponderada a hipótese de criar um movimento cívico para avançar com a recolha das 75 mil assinaturas necessárias para, por iniciativa popular, propor o referendo. Para além de Rui Moreira e Paulo Morais, entre os subscritores da missiva contam-se Carlos Abreu Amorim (jurista e professor universitário), Carlos Brito (engenheiro), Luís Rocha (economista), Mário Frota (jurista), Miguel Leão (médico) e Pires Veloso (general).

Mécanosphère no Porto-Rio









No próximo sábado, dia 14, mais um concerto do colectivo de Luxúria Canibal e seus pares, a realizar no Porto-Rio. A sessão vai ser animada pelo Rodas, pela noite dentro.

14 | Sábado | 23h

Mécanosphère:
Adolfo Luxúria Canibal
Benjamin Brejon
Hhy
Scott Nydegger


Dj: Rodas

Galeria Virtual da Censura






















Um sítio muito interessante, onde se aborda a censura - sem o risco do lápis azul. A censura que imperou durante o período de 1926 a 1975, braço aliado importantíssimo regime dictatorial.
Importante, também, um deitar de olhos a estes documentos de valor inestimável.
Para aprender e, sobretudo, não esquecer!

Adeus ao Nun'Álvares

Acabou o Nun’Álvares, o último cinema de bairro."Oliver Twist", de Roman Polanski, poderá ficar na história como a última película a ser exibida na sala do Nun'Álvares.
O panorama do Porto já não era famoso, agora está pior. Além de ter morrido uma sala bonita, uma sala diferente dos multiplexes, morreu mais uma sala onde passava um cinema diferente e diverso de tudo o que podemos ver nos grandes cinemas. A Medeia Filmes, exploradora da sala e quase a única exibidora a exibir filmes destes, passará a ter apenas cinco salas no Porto: Cine-teatro do Campo Alegre e as quatro salas do Cidade do Porto.
Se alguns filmes quase cá não chegam (basta lembrar o francês «Reis e Rainhas», de Arnaud Desplechin, que não chegou a ser cá exibido) muitos passarão a deixar também de vir. É um panorama desolador para a cidade do Fantasporto, e dos circuitos vizinhos de festivais (Cinanima em Espinho, Curtas em Vila do Conde, etc).

Faleceu Helena Sá e Costa

O Porto está, uma vez mais de luto. Outro importante ícone da cidade, com um legado extremamente importante para o mundo da música, desaparece. Aqui fica a hossa homenagem.

Quem era...
Intérprete consagrada nacional e internacionalmente, Helena Sá e Costa formou várias gerações de músicos, entre os quais Pedro Burmester, Adriano Jordão, Fernando Jorge Azevedo, Maria Teresa Macedo, António Pinho Vargas, Fausto Neves e Francisco Monteiro.
Aluna de Vianna da Motta, a pianista sucedeu-lhe como professora no Conservatório Nacional, em Lisboa, fundou a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), no Porto, e foi presidente do Conselho Científico da Escola Superior de Música do Instituto Politécnico do Porto, cujo teatro tem o seu nome. “São os meus pupilos que estão à frente do que vai ser a cultura musical do Porto no próximo século”, afirmou, em 1999, ao jornal Público.
Nascida a 26 de Maio de 1913, na Rua das Malmerendas, hoje conhecida por Rua Alves da Veiga, no coração da Invicta, Helena Sá e Costa deu o seu primeiro recital público aos cinco anos e aos 23 estreou-se no estrangeiro, em Paris, interpretando Bach - o seu compositor de eleição - acompanhada por uma orquestra dirigida por Edwin Fisher. Ao lado da irmã, a violoncelista Madalena Sá e Costa, estudou em Postdam, na Alemanha.
Em 1943, a Emissora Nacional distingui-a com Prémio Vianna da Motta, o insigne Mestre que a havia distinguido com 20 valores no culminar do seu curso.
Em 1994, foi homenageada com a criação de um prémio com o seu nome, atribuído pela ESMAE, e viu as suas memórias publicadas em «Uma vida em concerto», pelo Campo das Letras, em 2001, obra que deu origem a «Helena Costa. Tradição e Renovação», de Filipe Pires, editado em 1996 pela Fundação Engenheiro António de Almeida.
Aos 92 anos, Helena Sá e Costa deixa saudade em todos os que a conheceram

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Galiza na hora galego-portuguesa












Os nossos irmãos do norte, relamam a hora GMT também como sua e decidiram atrasar os ponteiros do relógio uma hora para celebrar a viragem do ano juntamente com os seus colegas de fuso (ie., todos os que se regem pela hora zero: a do meridiano de Greenwich).
Espanha fica noutro fuso horário (-1 hora) e pertence ao meridiano da hora central europeia (ECT, European Central Time), que partilha com os países da Europa central, casos da Alemanha, França, Itália, mas também com países de Leste, tais como a Roménia (!!). Como é possível que tal aconteça? Noutros países existe uma adopção de cada zona aos seus fusos horários reais, pelo que não me parece que seria por causa desta medida que o nosso vizinho ibérico visse ameaçada a sua coexão como país.
Parece-me descabido que pessoas que estão no mesmo meridiano que nós, numa mesma faixa horária, possam ter como hora a mesma dos romenos. Fora todas as consequências que tal problema traz para o quotidiano das pessoas: ter que se levantar e ir trabalhar bem de noite, sonos trocados, depressões. Logo, consequências com implicações graves a nível de saúde dos cidadãos.
Quem não se lembra dos tempos do nosso querido Cavaco Silva, onde foi adoptada a hora central europeia durante um determinado período de tempo? Eu lembro-me. E bem! Tinha aulas às 8 da manhã na universidade e eram nove horas e ainda mal tinha nascido o dia. Foi um período de depressão para muita gente. Um período onde o mal humor reinava, juntamente com os sonos trocados e a predisposição para adormecer em qualquer lado.
E para que serviu tal medida? Apenas para que os nossos políticos e os big bosses aqui da praça não tivessem que se levantar mais cedo quando tinham reuniões em Bruxelas ou Luxemburgo.

Por tudo isto (e mais) aqui fica a nossa homenagem aos nossos irmãos.

Ban Comic Sans




Contra a praga da Microsoft...
que nos aparece em tudo quanto é lado, uma espécie de Times New Roman da era pós-moderna!

Steak House



Um excelente espectáculo, a não perder. Pena ser em Lisboa, mas de qualquer maneira, vale mesmo a pena.
Uma obra de Gilles Jobin que aborda a coexistência de várias pessoas confinadas num espaço limitado, onde assumem comportamentos anormais para as regras de comportamento convencionais.
Enérgico e delirante! Para o pessoal que ainda anda nos 30 aninhos, é preço de amigo: 5 euritos!

(pressionar no título para mais informação)

The Normal People @ UpTown




Ora aí está mais um concerto dos The Normal People, desta feita a realizar no UpTown, esta sexta-feira, dia de reis.
Após um breve hiato, a banda regressa aos concertos num dos bares que está em cima, com novas músicas e outras reformuladas.
O concerto começa por volta das 23:30 e o preço da entrada é simbólico.

Sai uma francesinha




Para quem não sabe, para quem veio de barco ou para quem anda mesmo a nanar, uma "francesinha" é um prato delicioso, com o aspecto que podemos observar (e salivar) acima.
É um prato típico da cidade do Porto, em franca expansão (já encontrei francesinhas em Leiria!!!) e deve ser deglutado com um fino bem gelado ou então com uma caneca de cerveja, daquelas granjoleiras.
Deve comer-se bem acompanhado, de preferência com um bom e numeroso grupo de amigos e, de preferência, evitar potenciais chatos para não complicar a digestão. É que a comida é pesada...